O Cotidiano Das Aulas De Práticas Zootécnicas, Nas Séries Finais Do Ensino Fundamental Na Escola Municipal Agrícola Govº Arnaldo Estevão De Figueiredo.
Fabiane Araujo Borges
O convite de refletir sobre o cotidiano da prática pedagógica desenvolvida, faz perceber que em muitos momentos não há a mesma motivação e entusiasmo no decorrer do ano letivo em virtude dos contratempos pessoais ou mesmo profissionais. Por isso, muitas vezes, as aulas ocorrem de forma tradicional e copista, onde não abre espaço para perguntas, participações e interações,comprometendo a aprendizagem significativa dos alunos.
Neste contexto, há necessidade de “vigiar” o comportamento do educador, perante os alunos, para que os mesmos não sejam prejudicados. E nesta vigilância tento direcionar as aulas de Praticas Zootécnicas de forma participativa, aproveitando o senso comum, referente as vivências no campo. No 6º ano, por exemplo, antes de iniciar o assunto de criação de galinhas caipiras, peço que todos escrevam o que sabem sobre o tema proposto e em seguida socializamos com o grupo maior. No final todos produzem um novo texto reunindo os pré e os novos conhecimentos.
Na hora da socialização, para evitar o tumulto, discuto com os alunos qual a melhor maneira para socializarmos, de forma que todos sejam contemplados, sem bagunçarmos a aula, normalmente a maioria decide por sorteio. Quando os alunos começam a falar sobre o que sabem, perguntas de outros colegas vão surgindo e para evitar que atrapalhem quem está falando, peço que escrevam as perguntas no caderno e ao final da fala do colega, os questionadores lançam suas perguntas, ao grupo, que busca responder. Neste contexto, minha função é de mediadora até chegarmos as respostas necessárias.
Esta metodologia, comecei adotar depois de alguns anos em sala de aula, quando percebi que precisava mudar minha postura enquanto professora, para que meus alunos aprendessem melhor. Busquei estudar mais, aperfeiçoar, participar de formações educacionais ... Essenciais para mudanças nas práticas pedagógicas. E conforme Beatriz Magdalena e Ìris Costa sugerem, adotamos a metodologia que acreditamos ser eficaz no processo de ensino aprendizagem, onde assumimos e direcionamos funções na sala de aula. Por isso a necessidade da continuidade dos estudos e estarmos conectados as mudanças!
Nas aulas, dentre as categorias de perguntas, as que apelam para memória, são as menos usadas, as outras são usadas constantemente. Conforme o comportamento da turma, as organizacionais ou as disciplinares são utilizadas mais vezes. Mas devo admitir, que é uma constante vigilância pessoal, falar menos e mediar mais, uma vez que sou fruto de uma educação tradicional, onde o bom professor era aquele que explicava e falava a aula toda, a aula boa era aquela em que copiávamos muito e neste contexto o bom aluno era o que não questionava, copiava, decorava e reproduzia tudo nas atividades e avaliações propostas.
As problematizações em sala de aula, são essências para despertar nos alunos o interesse pela pesquisa. Uma vez pesquisadores, terão necessidade de encontrar suas respostas, mobilizando todo o grupo nesta busca, gerando discussões, criando novos conceitos e elaborando novos conhecimentos. Quando a aula parte de problemas, gerados pelo grupo ou levados pelo professor, desperta um espírito de disputa, interação e discussão, em busca de respostas. Em qualquer uma destas situações, a aprendizagem vai acontecendo de forma descontraída e significativa, pois há a participação dos alunos na busca do conhecimento.
Porém, o que observo no cotidiano é que muitos alunos ainda preferem as aulas tradicionais, eles dizem que dá “menos trabalho”! Frases como: lá vêm a professora com suas perguntas! Passa logo a resposta, professora! Para de conversar, passa logo no quadro, vai acabar a aula!... Acontecem todos os dias! Além dos alunos, pais e demais componentes da comunidade escolar, também pensam como estes alunos. Quebrar este paradigma, não é tarefa fácil e torna-se um dos contratempos profissionais, citados no início do texto, que me faz retroceder, algumas vezes, para aulas tradicionais.
Sabemos que quebrar paradigmas, descontruir e construir novos conceitos, não é fácil. E cabe a nós educadores mostrarmos as melhorias na aprendizagem, quando a aula torna-se participativa, onde os alunos perguntam, investigam descobrem e buscam novos conhecimentos, tendo o professor como mediador. Neste contexto, acredita-se que poderemos formar “homens que sejam capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores"( Jean Piaget).